Uma poesia antiga na insônia de sábado
Me fez refletir sobre acontecimentos rotineiros
Tão normais que as faces ficam impassíveis
Preocupadas apenas com julgamentos alheios
O poeta foi expulso da cidade
Hoje ninguém vê que a criança tem fome
Seu olhar disse: o mundo age sem piedade
E eu nem sequer sabia o seu nome
Hoje as pessoas só olham a palma da mão
Não se compadecem pela conversa amargurada
Estariam interessadas no assunto de antemão
Com a pessoa em outro lugar conectada
O catador rejeitado desabafa seu perecer
Disse que a vida de boa, trouxe decepção
Fala que trabalha pra não enlouquecer
Amargurado e sem rumo, condenando a solidão
domingo, 21 de fevereiro de 2016
terça-feira, 4 de agosto de 2015
O meu prazer
Deita ao meu lado e deixa eu bagunçar esse cabelo
Apesar do tempo, o meu prazer é provocar um riso
Nesse rosto infantil, isso não é nenhum segredo
Não és escolha, és a resistência que sinto
Me encanto com você a cada dia
Escolhi viver os desafios dessa vida ao seu lado
Minha vida sem você, como seria?
Uma nota errada em violão amargurado
Não mais me envergonho da maquiagem borrada
Nem da roupa desalinhada
Você invadiu minha retina, viajou em minha alma
Deixou uma surreal melodia e de todo o resto fez morada.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Cotidiano vazio
Eu olho pra imensidão do céu
a procura de uma fuga para o infinito
Uma fuga que me faça viver em êxtase
com sublimes feições extraterrestres a me contemplar
Inteligível como frase sem crase
Mas tudo se curva diante do caótico mundo
que insiste em me abominar
Tento libertar os pensamentos de forma nítida no claustro acolhedor
Pois meu mundo anseia euforia
Mas não! Martírio, dor... hoje até Nietzsche me consolou
Por fim, apago até a próxima dinastia
No outro dia a mandala da embriaguez me distrai
Eu olho pra imensidão do meu ser e um grande vazio me esvai.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
Tropicália: A reviravolta Cultural
Não devemos simplesmente deixar de lado tudo que aconteceu no nosso Brasil. Não podemos deixar esquecidos capítulos mostrando a realidade do passado do nosso país, deixando livros de história enfeitando as prateleiras de uma biblioteca. É dever de todo brasileiro, honrar e homenagear hoje, o que pessoas iguais a nós no passado, fizeram para transformar o que antes era cultura vinda de outros, em cultura própria do nosso lugar. Não deixemos às traças, as lembranças de uma humanidade que deixou de ler para viver uma história. Tratemos com respeito aqueles que antes protestaram por respeito. Diante de tal conscientização, tratarei de expandir os alicerces de um movimento muito importante, que marcou a transformação da cultura musical brasileira. Estou me referindo ao Tropicalismo. Esse movimento cultural revolucionário teve como influência o movimento antropofagia de Oswald de Andrade e do concretismo. O que chamou e chocou de certa forma, a atenção dos quem assistia toda a cena, foi a sua capacidade de misturar vários gêneros musicais, como o rock, a bossa nova, o baião, o samba, o bolero, entre outros. Com a intenção de modernizar a nossa cultura com novos padrões estéticos, incentivando um modelo que representasse o Brasil, de modo que o descrevesse de forma original. No auge de uma ditadura militar, com o Brasil sendo governado por Costa e Silva, os principais líderes desse movimento, Caetano Veloso e Gilberto Gil, lançaram o disco Tropicália ou Panis et Circensis, na companhia de outras grandes cantores. São eles: Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão, Maria Bethânia, Torquato Neto, Os Mutantes, entre outros. Sendo apelidado de disco ''Feijoada Cultural''. Neste tempo, a vanguarda erudita era considerada como o símbolo da tradicional e única música brasileira. A guitarra elétrica era vista como um símbolo da alienação e submissão à cultura norte americana. Por isso, quando o movimento veio com a intenção de misturar vários elementos em um único estilo musical, várias pessoas criticaram bruscamente a nova tendência, não sabendo eles que a intenção era universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos do rock com o ritmo arrepiante da guitarra elétrica, a sincronizar com a vanguarda erudita. Quando nos vem à cabeça o período da ditadura militar, imaginamos a total censura, as torturas, as prisões, a polícia repressora. Mas, não deixemos também de lembrar que esse período foi riquíssimo em criatividade e ousadia de um povo que queria ver brilhar em vários pontos da terra, a essência da Terra Adorada.
Ganância, voracidade e guerra
Desde as independências de todos os países atuais até as principais guerras ocorridas no mundo, o motivo econômico é o que leva os que estão no poder embriagar milhões de homens, e empurra para os campos de batalha com ideais de "patriotismo".
Cegos com tanta devoção há sua terra, matam pessoas que nunca viram antes, e as poucas que voltam vivas se envaidecem com um semblante heroico. Morto e enterrado está o semblante heroico daqueles que não poderão voltar para suas casas, fazendo tantas crianças ficarem órfãs.
Analisando a balança comercial bio econômica, o auge resplandece para um país e a humilhação é o que resta para outro além de ter a metade da população dizimada; o corpo não é mais desfigurado por bombas e granadas, mas a honra é o alvo da mutilação que faz alimentar o ódio de uma nação que insiste ficar de pé.
Vamos sair e se divertir, ver o pôr-do-sol, enquanto aproveitamos e admiramos o que nos resta de belo por aqui, ao mesmo tempo no outro lado do mundo é calculado a destruição e o fim de pessoas inocentes. Contam-se os segundos para que a matéria se desintegre da face da terra.
Soneto do capitalismo
Na brisa leve de um lugar vazio
Sonho! de tão má forma e crio
Ideias e sobrevivência a sangue-frio
De um reinado onde o fracasso sorriu.
Todos a mercê do paraíso industrial
Nascimento e morte que gera dinheiro
A classe dominante, mal companheiro
Facilita para todo o resto ser marginal.
O que Karl Marx tentou dissipar
É o que muitos tem a falar
Esperança morta, capitalismo lucrando!
O que ontem gerou guerra comercial
Hoje é acomodado e normal
Felizes ajudamos comprando, comprando!
Sonho! de tão má forma e crio
Ideias e sobrevivência a sangue-frio
De um reinado onde o fracasso sorriu.
Todos a mercê do paraíso industrial
Nascimento e morte que gera dinheiro
A classe dominante, mal companheiro
Facilita para todo o resto ser marginal.
O que Karl Marx tentou dissipar
É o que muitos tem a falar
Esperança morta, capitalismo lucrando!
O que ontem gerou guerra comercial
Hoje é acomodado e normal
Felizes ajudamos comprando, comprando!
Ter você
Ter você é chegar ao final do dia com um ar diferente
É voar e poder tocar o céu
É poder aturar qualquer tipo de desprezo, pois tem alguém que vai te fortalecer
É ter uma rosa em suas mãos e viver um conto de fadas
É viver uma poesia
É ter uma poesia
É não querer saber de nenhum tipo de comprometimento artificial
É ter uma voz sussurrando em seu ouvido com uma clareza tão plena e pura
É adormecer com o seu perfume estampado em sua blusa furtada
É acordar e desejar te ver só para dizer que o ama
É escultar uma música e relembrar todos os momentos vividos ao teu lado
É sorrir em saber que não virá apenas momentos com você e sim uma vida inteira
Ter você e nada a mais!
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